JESUS E O SOFISMO
Após a lição de retórica que Jesus deu a Anás durante o injusto julgamento, levaram-no preso até Pilatos, o governador romano da região.
Como era de manhã, e à noite teria a ceia pascal, os Doutores da Lei não quiseram entrar na residência do governado porque, pela tradição, a residência poderia estar impura para os ritos que haveria à noite. Por isso, chamaram Pilatos para fora.
Pilatos saiu e perguntou:
– Qual acusação vocês têm contra esse homem?
Eles responderam:
– Se ele não fosse um malfeitor, não o teríamos trazido aqui.
Pilatos disse:
– Encarreguem-se vocês mesmos de julgá-lo de acordo com a lei de vocês.
Eles responderam:
– Não temos condição de condenar ninguém à morte.
Esse trecho do Evangelho demostra o extremo oposto em que os Doutores da Lei, Fariseus e Escribas viviam em relação a Jesus.
Enquanto Jesus trazia argumentos sólidos para qualquer ensinamento, demonstrando seu alto poder retórico e, portanto, persuasivo; os representantes do Sinédrio traziam apenas opiniões rasas e mal formuladas, apresentadas por meio de sofismos lamentáveis.
O sofismo é toda e qualquer argumentação falsa, mas que aparentemente é legítima, e tem por objetivo levar o ouvinte a acreditar em promessas mentirosas e, em última instância, agir de forma errada.
O objetivo do sofista, portanto, é induzir propositadamente o seu interlocutor ao erro.
E foi justamente isso que os Doutores da Lei estavam fazendo com Pilatos, naquele momento.
Primeiro: se negam a entrar na casa do governador, para demonstrar que eles seguiam rigorosamente, fielmente, a lei mosaica e, assim, manterem a própria reputação aos olhos de Pilatos.
Segundo: apresentam um raciocínio lógico, ao dizerem que não levariam Jesus a presença de Pilatos se ele não fosse um malfeitor, instigando Pilatos a raciocinar como eles desejavam.
Terceiro: estimulam a vaidade do poder, ao dizerem, de forma inocente, mas profundamente calculada, que eles não tinham poder de condenar ninguém à morte, deixando nas entrelinhas que esse poder era de Pilatos.
Por isso, Pilatos aceita julgar Jesus.
Hoje, infelizmente, muitos políticos e muitos religiosos ainda se utilizam desses sofismos para manipularem as massas, mantendo-as reféns de seus projetos ambiciosos de poder terreno e financeiro.
Jesus já nos advertia sobre isso quando disse para tomarmos cuidado com os falsos profetas. E o que não falta hoje são falsos profetas em todos os meios e ramos de atividades.
Jovem! Não caia em discursos fáceis, prontos, de gurus cheios de seguidores. Discursos esses muitas vezes bonitos e lógicos, mas que escondem uma perversidade cruel por detrás, que pode levar até à morte de inocentes. Quem verdadeiramente estuda o Evangelho de Jesus e compreende a sua sublime lição não se deixa enganar e segue somente o Mestre de fato.
Vinicius Del Ry Menezes


