TOXICODEPENDÊNCIA – PARTE I
Remanescendo dos hábitos primários com predominância em indivíduos de constituição emocional frágil, o uso de substâncias psicoativas vem conduzindo larga faixa da humanidade a toxicodependência.
Desfilam como fantasmas truanescos e atormentados os usuários do álcool, do tabaco e das drogas químicas que ameaçam o equilíbrio psicossocial dos grupos terrestres, devorados pela insensatez de traficantes perversos e criminosos que amealham fortunas ignóbeis através do arrebatamento de multidões de enfermos da alma que lhes tombam nas armadilhas cruéis.
A desvalorização da vida, face ao hedonismo que viceja em quase todos os setores dos agrupamentos sociais com a exaltação do sexo aviltado, constitui estímulo para as fugas espetaculares da realidade na direção do aniquilamento orgânico em vã expectativa de extinção do corpo.
As grandiosas contribuições do pensamento exteriorizado nas nobres realizações da Ciência e da Tecnologia fomentaram também a corrida desenfreada pelo conforto excessivo e pelo poder irresponsável, na louca tentativa de possuir-se em abundância, para bem desfrutar-se com ganância.
Essa aspiração, que poderia ser valiosa se pautada em linhas de equilíbrio moral, normalmente empurra o ser para a competição alucinada, destruindo o sentido ético da existência humana pela volúpia de gozo da glória terrena.
Por consequência, o egoísmo solapa os ideais de fraternidade e de ventura coletiva, trabalhando em favor da individualização, ora muito bem vivenciada nas viagens, visitas e convivência virtuais, que vêm afastando as criaturas umas das outras mediante o relacionamento computadorizado, longe do calor das comunicações interpessoais, ricas de contato sensorial vitalizador.
De outra forma, as famílias, mergulhadas no torvelinho dos interesses externos, desestruturam-se e os filhos são entregues a babás humanas ou eletrônicas, quando deveriam conviver com os pais e com eles haurir emoções de segurança propiciadas pelo amor, gerando responsabilidade e dever, que são essenciais para respeito pela própria existência e a vida em todas as suas variadas expressões.
A ausência da ternura no lar e a permanência dos conflitos nos relacionamentos dos adultos oferecem à criança e ao jovem uma visão deformada da realidade, que passa a representar, no seu interior, um processo que deveria ser de segura formação psicológica, tornando-se um desafio que apavora e gera instabilidade, assim contribuindo para o favorecimento das fugas espetaculares para os vícios de toda natureza, quais toxicodependência, o alcoolismo, o jogo de azar, conduzindo não poucas vezes, ao suicídio e a outros comportamentos antissociais aberrantes e criminosos.
Não é, pois de estranhar, quando crianças e jovens utilizam-se dos instrumentos de destruição para assassinarem colegas e mestres, ou quando adultos e adolescentes se armam para extermínios seriais, mais aumentando as estatísticas de pavor e de degradação humana.
CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA (24/08/26)
Manoel Philomeno de Miranda
Psicografia de Divaldo Franco em Quarteira (Algarve-Portugal)) em 23 de Abril de 2001.


