JESUS E A SEDE
Após ligar Maria de Nazaré ao discípulo João pelos laços espirituais de mãe e filho, Jesus, sabendo que tudo para o qual tinha nascido estava realizado, disse, para se cumprir as Escrituras sagradas:
– Tenho sede.
Um soldado romano pegou uma jarra de vinagre, amarrou uma esponja na ponta de uma vara, embebeu-a no vinagre e aproximou-a da boca de Jesus.
Jesus bebeu o vinagre e disse:
– Tudo está realizado.
E, inclinando a cabeça, morreu.
Morreu humilhado na cruz, com sede.
Esse ato final de Jesus também é altamente simbólico.
Para quem tinha perdido a quantidade de sangue que Jesus perdeu por causa do espancamento, tortura e crucificação, era natural que estivesse com sede, por causa da desidratação causada pela hemorragia dos ferimentos.
E qualquer ser humano, minimamente empático, daria um copo de água, ou uma esponja embebida em água, para alguém sedento beber.
Não foi o caso com Jesus.
Ao dar vinagre para ele beber, o soldado romano produz o último ato de humilhação a Jesus, demonstrando até que ponto a desumanização causada pelo materialismo pode levar uma pessoa a cometer atos vis contra alguém que simplesmente está com sede.
E quantos materialistas, hoje, não negam um copo de água, um prato de comida, um remédio, um agasalho a tantos homens, mulheres e crianças que perambulam por aí com sede, fome, dor e frio?
Mas, para além da interpretação puramente material dessa passagem, também há uma mensagem espiritual por trás dela.
A sede de Jesus também pode ser no sentido espiritual, significando que ele anseia a nossa água pura e cristalina em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
E o vinagre dado a ele são os nossos sentimentos negativos de ódio, orgulho, vaidade, rancor, prepotência, sensualismo e tantos outros que azedam o bem-estar coletivo e individual.
Tomando o vinagre como o símbolo dos maus sentimentos, é notável perceber que Jesus o bebe.
É como se o Mestre dissesse: eu bebo esse vinagre para ajudá-lo a se livrar dele.
É como se o Mestre nos desse mais uma chance de transformarmos esse vinagre em uma água pura e cristalina em nossas vidas.
E não foi isso que Jesus fez a vida inteira? Transformar os nossos erros e defeitos azedos em sentimentos puros de amor e perdão, por meio das curas, desobsessões e sermões?
Jovem! Infelizmente ainda produzimos mais vinagre do que água pura em nossas vidas. Estude o evangelho de Jesus, reflita em sua própria vida, mude seus atos e pensamentos e você perceberá que o Mestre está do seu lado, ajudando-o a transformar esse vinagre em uma água cristalina.
Vinicius Del Ry Menezes


