JESUS E O DISCÍPULO JOÃO
Pregado na cruz, Jesus olhou em volta.
Viu os soldados romanos, disputando suas vestes.
Viu os líderes religiosos felizes por terem conseguido a sua condenação.
Viu pessoas que estavam ali simplesmente por gostarem de ver espetáculos sanguinolentos.
Viu os dois criminosos pregados em cruzes, um a sua direita, outro a sua esquerda, um que o defendera, outro que o atacara.
Mas de repente ele viu: três corações femininos, aflitos, em choro, ajoelhados, implorando a Deus por uma intervenção divina.
Sorriu.
Viu ali sua tia, que o amava.
Viu ali Maria Madalena, que também o amava.
Viu ali Maria de Nazaré, sua mãe, que passara por inúmeras privações e renúncias para que ele pudesse cumprir a missão que Deus lhe dera.
E que amor exalava do coração dela, vindo até ele, envolvendo-o e aconchegando-o!
Mãe é mãe, pensou Jesus.
E naquele momento ele viu João, seu discípulo amado, aquele que começara a segui-lo ainda adolescente e que somente agora chegava na idade adulta.
O olhar dos dois se cruzaram.
João deu um passo à frente, como que atendendo a um chamamento de Jesus e ficou lado a lado com mãe Maria.
Voltando o olhar para sua mãe, Jesus disse:
– Mãe, eis aí o teu filho – referindo-se a João.
Depois, voltando-se para o discípulo, disse:
– Eis aí a sua mãe.
E daquele dia em diante, João tomou Maria de Nazaré como sua mãe, cuidando dela por muitos e muitos anos, até o dia em que Jesus, em espírito, veio buscá-la para a vida eterna.
Com essa simples orientação, Jesus conseguiu apaziguar o coração aflito de uma mãe que via o seu filho ser assassinado.
Conseguiu resgatar a fé do discípulo jovem, que ainda necessitava de um colo materno.
Conseguiu unir em espírito o que a morte jamais romperia: os laços de amor fraterno.
Conseguiu deixar uma profunda lição para a posteridade: uma família não é formada apenas por lanços sanguíneos, mas principalmente por profundos laços espirituais de amor.
João, seu discípulo bem-amado, o mais jovem, foi o que mais viveu dentre todos.
E João foi fiel a esses laços de amor fraterno até o fim dos seus dias, porque por muito amar a Jesus, também muito amou Maria de Nazaré e fez dela sua segunda mãe.
Talvez por isso tenha sido o discípulo mais fiel de todos: porque ao tê-la como mãe, fez-se irmão de Jesus.
Jovem! Os laços de amor familiares independem do sangue. Os laços de amor familiares dependem única e exclusivamente dos ensinamentos do nosso Mestre Jesus. O discípulo João compreendeu isso profundamente. Não à toa, foi aquele que mais próximo chegou de Jesus. O Mestre é quem mais profundamente nos ama, incondicionalmente, fraternalmente. Por isso Jesus sempre nos chamou de irmãos.
Vinicius Del Ry Menezes


