PERDOAR É DEIXAR PASSAR O QUE JÁ SE FOI

PERDOAR É DEIXAR PASSAR O QUE JÁ SE FOI

26/08/2019 Amor e Luz 0

“(…)Quando nos recusamos a perdoar, somos nós próprios que assumimos o inútil peso do ódio e da vingança, que são intermináveis e pesam sobre nós, e não sobre aqueles que nos prejudicaram.”

     Pedro veio a Jesus e disse: Senhor, quantas vezes eu deveria perdoar meu irmão quando ele vem e peca contra mim? Mais de sete vezes? ”Jesus respondeu: “Eu te digo não sete vezes, mas setenta vezes sete.”

     Perdão. Há uma maravilhosa aura rondando o verbo perdoar, grande calor e força. É uma palavra que sugere um “deixar passar”, uma libertação, uma ação que tem o poder de acalmar, curar, reunir e recriar. Existem situações nas nossas vidas muito dolorosas: ser injuriado, ser física ou psicologicamente abusado pode causar danos profundos. Parece simplesmente humano se exigir justiça, desejar a “doce vingança”.

     Perdoar aos outros, por mais difícil que pareça, é apenas uma parte do problema. Também é difícil nos perdoarmos por situações em que percebemos que cometemos erros e injustiças. Pedir perdão e perdoar é um processo complicado que envolve nossa mais profunda empatia, humanidade e sabedoria. Descobrimos, historicamente, que sem perdão não pode haver um amor duradouro, não há mudanças, não há crescimento e real liberdade.

     Naturalmente, perdoar não é um processo fácil. Nossa mente não consegue abrir caminhos instantaneamente pela intrincada trama de sentimentos que nos envolve quando somos atingidos. Parece mais fácil procurar meios de se fugir à dor. Ao invés de lidar com o problema, nós culpamos, acusamos, condenamos, excluímos e amaldiçoamos. Nunca se perdoará alguém numa atmosfera de acusação, condenação, raiva e perseguição. Só vamos começar a perdoar quando encararmos aqueles que nos prejudicaram como encaramos a nós mesmos, nem melhores, nem piores. Precisamos nos lembrar de que coexistimos como mortais no mundo, juntos, os que cometem os erros e os atingidos por eles, e que, no mundo em que vivemos, a situação poderia ser prontamente invertida. Não há momento mais gratificante do que quando podemos realmente perdoar e sermos perdoados. Nesse instante, ficamos livres para seguirmos adiante como seres humanos em suas plenitudes. Ilusões de perfeição, a nossa e a dos outros, são destruídas quando aceitamos e somos aceitos como vulneráveis, imperfeitos seres humanos que somos.

     Nossos maiores filósofos e líderes religiosos foram também as pessoas com maior capacidade de perdoar. Através da compaixão e do perdão de Buda, milhões de pessoas foram ajudadas a se descobrir e a se aceitar. Jesus Cristo foi o modelo do perdão. Ele perdoou as prostitutas, aos malfeitores, e aquele discípulo que o condenou à morte. Eles perdoaram mesmo que parecesse contra a lógica, contra a realidade psíquica, contra aquilo que é geralmente chamada de “natureza Humana”. O verdadeiro perdão é o ato de mais valor dos comportamentos humanos. Como disse um professor budista:

     – Deixe para lá. Por que você se apega à dor? Não há nada que você possa fazer sobre os erros de ontem. Não cabe a você julgá-los. Por que nos prendemos ao que nos priva da esperança e do amor? Como todo evangelho sugere, não julgue. Tente entender e ter a empatia fortalecida pela compaixão; então, perdoar é fácil. Quem perdoa é libertado ao perdoar.

     “Perdoai as nossas ofensas, assim, como perdoamos a que nos tem ofendido”.

Fonte: Revista Delfos

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