PARA REFLETIR SOBRE A MEDIUNIDADE
Sempre encontramos irmãos de doutrina a comentar publicamente, seja através de palestras ou da mídia, sobre questões que envolvem a identificação dos espíritos e dos médiuns que trazem diferentes mensagens. É claro que não podemos nos furtar dessa ação, já que o próprio Kardec nos convidava para tal, e o Apóstolo João, em uma de suas epístolas nos afirmava – “Amados não creias em todo espírito, mas provai se eles são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo”.
Entretanto essas atitudes deveriam ser movidas por uma conduta de prudência e, como o próprio Kardec fazia, revestida de um estudo metodológico que pudesse embasar as críticas dos autores. Sem este cuidado, vamos criando no movimento espírita, uma postura leviana a cerca dos fatos, levando mais à descrença do que a confirmação dos fenômenos, contrariando o propósito dos próprios críticos, que teimam em dizer que estão só defendendo a doutrina.
O fato, porém, torna-se mais grave porque irmãos que professam escolas evangélicas reformadas e neopentecostais vêm usando “as discussões” dos próprios escritores de renome da doutrina para agredir as verdades consoladoras do Espiritismo, criando sites na internet e divulgando-os para toda comunidade de internautas, mostrando nossas próprias contradições, tanto no campo do conhecimento, como no aspecto da postura pessoal de pouco conteúdo ético.
Ser alvo dessas criticas quando na posição de médium não é “privilégio” de alguns, já que nomes como Chico Xavier e Divaldo Franco, sofreram e sofrem com essas atitudes até no momento atual. Ao contrário, os medianeiros deveriam aproveitar a oportunidade para reflexão, já que o animismo empalidece a qualidade do fenômeno mediúnico em muitas ocasiões. E, certamente, somos todos alvos do processo obsessivo (pelos desequilíbrios pessoais), portanto, capazes de liberar produções creditadas a certos espíritos erroneamente, ou de divulgar princípios e informações equivocadas, originárias de mentes que só pretendem criar celeumas entre as criaturas.
Esta situação, vivida tão intensamente nos últimos tempos em especial pela grande quantidade de livros produzidos sobre mediunidade, é fruto no meu acanhado ponto de vista, de duas situações bem claras, que exigem do movimento espírita um posicionamento adequado, de maneira a poder sanar o maior numero possível de constrangimentos.
A primeira envolve o estudo da própria doutrina, de modo particular da codificação, onde as escolas devem estimular o estudo sistematizado da doutrina e não permitir que figuras de “chefes”, encantados pela fenomenologia teimam, muitas vezes, em manter a atividade mediúnica sem o preparo dos médiuns e de orientadores.
A segunda, sob a responsabilidade de entidades divulgadoras e editoras espíritas que devem priorizar um trabalho sério para formação de equipes editoriais que não se resumissem ao simples fato de impedir publicações inadequadas, mas que possam oferecer recursos para que o médium e equipes de trabalho possam refletir, reavaliar e aprimorar as atividades desses escritores.
Finalmente, deve ficar uma reflexão pessoal para todos os espíritas, de que somos ávidos a falar e creditarmos o poder do conhecimento e da verdade, mas precisaremos sair de nossas posturas atávicas (transmitido de maneira hereditária; que se transite de uma pessoa para outra), a repetir a situação dos sacerdotes e fariseus da época de Cristo que eram vistos por Jesus com a seguinte expressão: “Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Todas as coisas, pois, que vos disseram que observeis, observai-as e fazei-as, mas não procedais em conformidade com as minhas obras, porque dizem e não fazem. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põe aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem move-los.” (Mateus, 23:2-4)
Texto Resumido e Modificado da Revista Espírita Delfos


