JESUS E OS BANDIDOS
Ao chegar no Gólgota, Jesus foi pregado na cruz e a cruz foi içada e fincada ao chão, no meio de outras duas cruzes, onde dois bandidos também tinha recebido a condenação extrema.
Um dos criminosos, ao reconhecer Jesus, o insultou, dizendo:
– Não é você o Messias? O Prometido? Salva a ti mesmo e a nós também.
Jesus nada disse em sua própria defesa. Quem o defendeu foi o outro bandido, repreendendo o primeiro.
Ele disse:
– Você não teme a Deus nem mesmo sofrendo a mesma condenação? Para nós é justo, porque estamos recebendo o que merecemos. Mas ele não fez nada de mal.
Jesus olhou para esse bandido com aquele olhar meigo e amoroso dele.
Seus olhares se cruzaram.
O olhar desse bandido continha uma doce súplica por ajuda, não material, mas espiritual.
Ele pediu a Jesus:
– Jesus, lembre-se de mim quando vier em teu Reino.
Jesus lhe respondeu, encorajando-o:
– Eu lhe garanto: hoje mesmo você estará comigo no Paraíso.
E Jesus sorriu, acalmando aquele coração aflito.
Até mesmo em um momento altamente aflitivo, Jesus encontrava tempo para reeducar as almas por meio de profundas lições morais. Há muitos ensinamentos nessa passagem.
Primeiro, ao ser confrontado de forma tão sarcástica pelo primeiro bandido, Jesus não se defende, pois está em paz com sua própria consciência.
Segundo, quem o defende é o outro bandido. E aqui a lição começa a ficar mais profunda.
Esse bandido reconhece que errou e que merece ser punido, além de reconhecer que Jesus não tinha feito mal algum.
Ele vai além: reconhece que Jesus é o Messias, o Prometido e, num lampejo de humildade, roga ao Mestre para ser lembrado no dia em que viesse o Reino anunciado por ele.
O primeiro bandido representa aquela fase espiritual em que o ser ainda transita na criminalidade por não reconhecer as luzes espirituais, mesmo quando ela brilha em sua frente.
O segundo bandido representa o momento em que a luz espiritual encontra ressonância no coração do ser perdido na criminalidade.
No fundo, cada bandido representa um momento de nosso passado criminoso de outras encarnações.
Já fomos o primeiro bandido: criminosos materialistas, sarcásticos em relação aos bens materiais, desaforados com qualquer um que nos alertasse sobre o caminho do bem.
Mas houve um dia em que o arrependimento soou em nossas consciências e, humildes, pedimos ajuda à espiritualidade maior para que retornássemos ao caminho do bem, sedentos pelos bens espirituais.
E naquele dia, lá estava Jesus, pregado na cruz, pronto para nos receber em seus braços, em seu Reino.
Jovem! Graças a Jesus, hoje estamos no caminho do bem, carregando nossas cruzes redentoras. Por isso, não julgue esses irmãos criminosos, porque chegará um dia em que eles também voltarão para o caminho do bem. Ore por eles, para que esse dia chegue mais rápido. Isso será melhor para você, para eles e para a sociedade como um todo.
Vinicius Del Ry Menezes


