JESUS E A MULTIDÃO
Sozinho, de dentro da sala na qual fora inquirido por Pilatos, Jesus escutou a conversa que os líderes do Sinédrio tiveram com o governador.
Pilatos disse para as autoridades dos judeus:
– Eu não encontrei nele nenhum motivo de condenação.
Os líderes esboçaram uma resposta, mas Pilatos foi mais rápido e ajuntou:
– Contudo, existe um costume entre vocês: que eu lhes solte alguém na Páscoa. Vocês querem que lhes solte o rei dos judeus?
Pilatos acreditava que a multidão que cercava o seu palácio iria preferir Jesus, afinal o Mestre curara leprosos e cegos, restituíra a mobilidade em diversos paralíticos, ensinara profundos conhecimentos espirituais e promovera desobsessões dificílimas. Ou seja, Jesus não tinha feito nada de mal que pudesse justificar a sua prisão e, por consequência, a condenação à morte.
Para a sua surpresa, a multidão gritou:
– Ele não. Solte Barrabás.
Barrabás era um criminoso de alta periculosidade que havia sido preso naquela semana.
Pilatos ficou atônito.
A multidão gritava à plenos pulmões: Barrabás, Barrabás, Barrabás.
E de lá de dentro, Jesus ouvia tudo, calmamente.
O que Pilatos não percebeu é que no meio da multidão havia diversas pessoas infiltradas do Sinédrio, insulando para que todos gritassem o nome de Barrabás.
Ainda hoje, a multidão toma as piores decisões possíveis.
Pior, ainda hoje a multidão, mesmo quando tem reinvindicações legítimas, muitas vezes se deixa perder em baderna e violência por causa dos infiltrados, que nada mais são do que representantes de interesses mesquinhos.
Para piorar ainda mais, hoje, essa multidão está na internet, sujeita a conteúdos perniciosos, violentos, fóbicos, temerosos, cujo objetivo é manter a multidão perdida em demandas que em nada melhoram a vida da coletividade.
Essa multidão de hoje, como a que condenou Jesus, ainda não percebeu como é manipulada e usada por interesses mesquinhos.
Jesus, porém, calmamente recebeu a traição da multidão, porque ele sabia que ela era massa de manobra dos poderosos da época.
Jovem! Não se deixe manipular por falsos profetas, gurus, políticos, religiosos que usam a multidão (tanto presencial, quanto digital) para interesses mesquinhos. Lembre-se dessa passagem do evangelho para que você não se torne mais um gritando no meio do povo: Barrabás, solte Barrabás!
Vinicius Del Ry Menezes


