JESUS E O DISCÍPULO JOÃO

JESUS E O DISCÍPULO JOÃO

13/08/2026 Juventude 0

Pregado na cruz, Jesus olhou em volta.

Viu os soldados romanos, disputando suas vestes.

Viu os líderes religiosos felizes por terem conseguido a sua condenação.

Viu pessoas que estavam ali simplesmente por gostarem de ver espetáculos sanguinolentos.

Viu os dois criminosos pregados em cruzes, um a sua direita, outro a sua esquerda, um que o defendera, outro que o atacara.

Mas de repente ele viu: três corações femininos, aflitos, em choro, ajoelhados, implorando a Deus por uma intervenção divina.

Sorriu.

Viu ali sua tia, que o amava.

Viu ali Maria Madalena, que também o amava.

Viu ali Maria de Nazaré, sua mãe, que passara por inúmeras privações e renúncias para que ele pudesse cumprir a missão que Deus lhe dera.

E que amor exalava do coração dela, vindo até ele, envolvendo-o e aconchegando-o!

Mãe é mãe, pensou Jesus.

E naquele momento ele viu João, seu discípulo amado, aquele que começara a segui-lo ainda adolescente e que somente agora chegava na idade adulta.

O olhar dos dois se cruzaram.

João deu um passo à frente, como que atendendo a um chamamento de Jesus e ficou lado a lado com mãe Maria.

Voltando o olhar para sua mãe, Jesus disse:

– Mãe, eis aí o teu filho – referindo-se a João.

Depois, voltando-se para o discípulo, disse:

– Eis aí a sua mãe.

E daquele dia em diante, João tomou Maria de Nazaré como sua mãe, cuidando dela por muitos e muitos anos, até o dia em que Jesus, em espírito, veio buscá-la para a vida eterna.

Com essa simples orientação, Jesus conseguiu apaziguar o coração aflito de uma mãe que via o seu filho ser assassinado.

Conseguiu resgatar a fé do discípulo jovem, que ainda necessitava de um colo materno.

Conseguiu unir em espírito o que a morte jamais romperia: os laços de amor fraterno.

Conseguiu deixar uma profunda lição para a posteridade: uma família não é formada apenas por lanços sanguíneos, mas principalmente por profundos laços espirituais de amor.

João, seu discípulo bem-amado, o mais jovem, foi o que mais viveu dentre todos.

E João foi fiel a esses laços de amor fraterno até o fim dos seus dias, porque por muito amar a Jesus, também muito amou Maria de Nazaré e fez dela sua segunda mãe.

Talvez por isso tenha sido o discípulo mais fiel de todos: porque ao tê-la como mãe, fez-se irmão de Jesus.

Jovem! Os laços de amor familiares independem do sangue. Os laços de amor familiares dependem única e exclusivamente dos ensinamentos do nosso Mestre Jesus. O discípulo João compreendeu isso profundamente. Não à toa, foi aquele que mais próximo chegou de Jesus. O Mestre é quem mais profundamente nos ama, incondicionalmente, fraternalmente. Por isso Jesus sempre nos chamou de irmãos.  

Vinicius Del Ry Menezes