JESUS E A TORTURA
Ainda atônito pela multidão ter preferido o criminoso Barrabás a Jesus, Pilatos voltou para a sala em que interrogara o Mestre.
Como não encontrava motivos para matá-lo, tentou uma jogada.
Mandou que Jesus fosse açoitado, o que os guardas fizeram prontamente e com alegria.
Os guardas ainda trançaram uma coroa, feita com galhos espinhosos, e a colocaram na cabeça de Jesus. O sangue escorreu pelo rosto do Mestre.
Vestiram Jesus com um manto vermelho. Aproximaram-se dele e diziam:
– Salve, rei dos judeus!
E lhe davam mais socos.
Entre a coroa de espinhos, os açoites com o chicote e os socos, Jesus apenas orava.
Pilatos saiu de novo e disse para a multidão:
– Vejam. Eu vou mandar trazer aqui fora o homem, para que vocês saibam que não encontro nenhuma culpa nele.
Então Jesus foi para fora. Levava a coroa de espinhos e o manto vermelho.
Pilatos lhes disse:
– Eis o homem.
Vendo Jesus, os chefes dos sacerdotes e os guardas começaram a gritar:
– Crucifica, crucifica!
Pilatos disse:
– Façam isso vocês mesmos de crucificá-lo, pois eu não encontro nenhum crime nele.
Eles responderam:
– Nós temos uma lei, e segundo a lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
Ao ouvir essas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda.
Jesus foi brutalmente torturado e injustamente condenado à morte.
Sem o devido processo legal, sem uma acusação formal sustentada por provas, sem o direito a se defender.
Igual a tantas pessoas, inocentes ou não, que ainda hoje sofrem com a crueldade de acusadores.
Sim, criminosos devem ser processados, julgados e condenados à prisão dentro das leis vigentes.
Não, nem eles e nem ninguém devem sofrer torturas e condenações arbitrárias, inclusive pena de morte.
É chocante pensar que em pleno século XXI ainda seja necessário discutir essa questão.
Jovem! Não se deixe enganar: tortura e pena de morte não são a solução. A educação, em especial a moral e a espiritual, é a única arma contra a criminalidade. Portanto, não julgue e nem condene ninguém, mesmo porque talvez ele esteja sendo incriminado injustamente, como Jesus o foi.
Vinicius Del Ry Menezes


