JESUS E OS SEUS DIREITOS

JESUS E OS SEUS DIREITOS

25/06/2020 Juventude 0

E mais uma vez Jesus se encontrava em meio a uma confusão no templo. Dessa vez, ele havia curado um cego de nascença em pleno dia de sábado. Para os judeus, que seguiam à risca as regras determinadas por Moisés, fazer qualquer coisa aos sábados era um pecado. Mesmo que isso fosse algo bom e útil, baseado no amor e na caridade, como curar um cego.

Como Jesus ousava promover uma cura no sábado, contrariando as regras que Moisés impusera? Por isso, o Mestre era odiado por eles.

Os fariseus, seita preocupada em seguir apenas as regras dos cultos exteriores e dogmas sem se importarem com o conteúdo dos ensinamentos mosaicos, interrogaram o ex-cego e o expulsaram do Templo por ter ele se declarado favorável a Jesus.

Os fariseus também foram tirar satisfação com Cristo. O Mestre explicou o que fizera por meio de uma parábola, uma metáfora, comparando o seu ato com o de um pastor de ovelhas que protege o seu rebanho contra bandidos. Em dado momento, Jesus afirmou: “o ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Jesus deixa claro nessa parábola que a vida humana é o maior direito que uma pessoa tem.

Tanto é que Allan Kardec, ao questionar um dos espíritos para a elaboração de O Livro dos Espíritos sobre qual seria o maior direito natural da humanidade, obteve a seguinte resposta à questão número 880: “O de viver. Por isso, ninguém tem o direito de atentar contra a vida de seu semelhante, nem de fazer nada que possa comprometer a sua existência corporal”.

Essa resposta obtida por Kardec aprofunda o ensinamento de Jesus, pois, ao dizer que veio para que tenham vida em abundância, o Mestre deixa claro que:

  1. A vida humana é o maior direito que qualquer pessoa tem.
  2. A vida humana deve ter todos os cuidados necessários para a sua sobrevivência garantidos como alimentação adequada; saúde, tanto física quanto mental e espiritual; estudo e trabalho.
  3. Ter vida em abundância significa ser feliz e sentir-se pleno com a própria vida que se tem.
  4. Se cada pessoa tem direito à vida, ninguém tem o direito de cometer qualquer ato contra a vida do outro, ou contra a sua própria vida, ou seja, ninguém pode ser “o ladrão que rouba, mata e destrói”.
  5. Há muitas maneiras de se atentar contra a vida de outra pessoa: uma delas é se negar a ajudá-la quando ela precisa, por isso Jesus jamais se negou a curar alguém aos sábados, afinal o dia de sábado está abaixo do direito à vida.

O direito básico e universal à vida é reforçado por Jesus em diversos atos e ensinamentos:

– O direito à alimentação saudável foi expresso por Jesus no momento em que ele dividiu o pão e o peixe com uma multidão de famintos.

– O direito à saúde, tanto física quanto espiritual, foi demonstrado por meio das inúmeras curas que Jesus efetuou e com a afirmação: sua fé te curou.

– O direito ao estudo foi explicado pelo Mestre por meio da parábola “O Cego que Guia Outro Cego”, já que somente uma pessoa com conhecimentos pode ensinar outra.

– O direito ao trabalho foi explicitado pela frase que Jesus disse: “a cada um segundo as suas obras”.

Em todos os momentos, Jesus consagrou o direito à vida. Ele nunca perdeu uma oportunidade sequer de demonstrar que esse é o maior direito que todo ser humano possui.

Mas Jesus foi além. “Olhai as aves do céu, olhai os lírios do campo”, disse o Mestre, pois a natureza também tem direito à vida.

Hoje, diversas pessoas agem como os fariseus agiam na época de Jesus. Banalizam a vida uns dos outros, julgando que uma pessoa que pensa diferente em termos políticos, religiosos ou profissionais deve morrer. Muitos jogam a própria vida fora em atitudes suicidas por mero lazer, acreditando que a diversão está acima do direito à vida. Outros destroem a natureza por acreditarem que ela está subordinada ao ser humano, esquecendo-se que a natureza vive plenamente sem a presença do homem, mas é impossível o homem viver sem a natureza.

Enfim, muitos seres humanos vivem como se fossem ladrões que roubam, matam e destroem. Uns agem assim governando nações. Outros agem assim na intimidade de seus próprios lares.

Jovem! Não seja como os fariseus que valorizavam o sábado ao invés da vida. O direito à vida é universal. O único bem que você possui é a sua vida. Por isso, cuide bem dela. Jesus esteve aqui, entre nós, para que cada um pudesse viver plenamente. Jamais aja de modo a colocar qualquer vida que seja em risco. Não espere estar à beira da morte para valorizá-la, pois aí será tarde. E saiba que, ao lado de todo direito, há sempre um dever. Um dever que todos devem seguir para que o direito à vida se cumpra. Esse dever será o tema do texto da próxima semana.

Vinicius Del Ry Menezes

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