JESUS E A REVOLTA

JESUS E A REVOLTA

19/11/2020 Juventude 0

Jesus observava o grupo de leprosos. Ele, junto de seus discípulos, frequentemente visitava aquele local afastado da cidade, com o objetivo aliviar as dores físicas e morais daqueles irmãos excluídos da sociedade.

Naquela época, a hanseníase, nome pelo qual a lepra é conhecida hoje, era uma sentença de morte e quem a possuía era abandonado em algum leprosário, como forma de evitar uma epidemia na cidade.

Dor, fome, humilhação, abandono, imundície, eram muitas as dificuldades pelas quais aquelas pessoas passavam.

Naquela tarde de sol escaldante, em que o forte odor da lepra se espalhava por todo o local, Jesus observava dois leprosos, os irmãos Manassés e Benjamin, abandonados lá há mais de um ano.

Benjamin, apesar das dificuldades motoras, tentava ajudar os discípulos de Jesus na distribuição dos pães para os demais leprosos enquanto Manassés, revoltado, se recolhia para trás de uma pedra, tentando esconder-se da vista de todos.

Ao ver que o irmão se retraia diante dos discípulos de Jesus, Benjamin se aproximou e disse:

– Meu irmão, agradeça a Deus por ter enviado esses anjos em nosso socorro.

Uma ponta de alegria acendeu no coração de Benjamin.

– Como agradecer a Deus – replicou Manassés, irritado – que nos deu essa doença de morte e nos jogou aqui, humilhados? Que Deus é esse que mata nosso corpo antes mesmo da morte nos arrebatar a alma? Isso não é justo Benjamin, não é justo!

Uma grossa lágrima escorreu pelo rosto deformado de Manassés.

Jesus, apiedado, aproximou-se e pousou o olhar manso nos olhos de Manassés. Envergonhado, ele tentou desviar o olhar, mas não conseguiu. Nunca vira uma expressão de tanto amor, de tanto carinho, de tanta ternura.

Delicadamente, Jesus colocou sua mão no peito de Manassés. Imediatamente, aquela revolta contra Deus, contra a vida, contra tudo e contra todos, diminuiu. Seu coração voltou a bater no ritmo normal. Voltou a ter controle sobre o próprio pensamento e sua visão se tornou mais clara.

O Mestre, então, disse:

– Manassés, a revolta aumenta a dor física, impede o fluxo normal dos pensamentos e turva a visão. A revolta produz morte e nosso Pai que está nos céus nos quer vivos para a vida eterna.

Essas palavras caíram como um bálsamo no corpo dolorido de Manassés. Jesus continuou:

– Hoje colhemos o que plantamos no passado, assim manda a justiça divina. Um dia, porém, a colheita termina. Eu te pergunto: como você quer terminar a sua colheita? Como o trabalhador honesto sobre o qual o chefe não tem do que reclamar, ou como o trabalhador preguiçoso que não cumpre com a sua tarefa e ainda culpa o chefe por seu mau desempenho?

Manassés arregalou os olhos diante daquela lição tão clara. Percebeu que a sua dor era resultado de desmandos cometidos em outras encarnações, portanto, era uma dor justa.

– Olhe em torno, meu irmão – continuou Jesus. – Por pior que seja a colheita, Deus sempre consola os aflitos. Mas só consegue receber o consolo quem é manso de coração.

Manassés compreendeu que a sua revolta era uma dor que ele mesmo causava a si próprio. Uma dor que doía mais do que a dor do corpo. Entendeu que a obediência às leis de Deus era o consentimento da razão e a resignação era o consentimento do coração*.

E para concluir o ensinamento, Jesus repetiu aquela frase que já dissera naquele monte famoso:

– Manassés, felizes são os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Jovem! A revolta é uma força destruidora. Não se deixe dominar por ela. Por maior que seja a sua dor ou a sua aflição, procure o ensinamento que há nessa situação difícil pela qual você passa. A obediência às leis de Deus e humanas te dará proteção física e moral enquanto a resignação te dará tranquilidade emocional. Entre a obediência e a resignação, cedo ou tarde, você encontrará a paz de espírito que tanto deseja.

Vinicius Del Ry Menezes

* Sugere-se a leitura do capítulo IX, Bem-aventurados Aqueles que são Brandos e Pacíficos, do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec.

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