JESUS E A REENCARNAÇÃO

JESUS E A REENCARNAÇÃO

05/11/2020 Juventude 0

Pela janela aberta, Jesus observava o céu estrelado, sentindo o vento tocando em seu rosto, como se Deus lhe fizesse um carinho em sua face. Virou-se para receber Nicodemos.

Nicodemos talvez fosse o rabi mais famoso de todo o Sinédrio e, embora fosse um dos principais chefes da seita dos Fariseus, simpatizava com Jesus e desejava ardentemente conhecê-lo. Por isso, convenceu João a levá-lo para conversar com o Cristo, à noite, para que os demais fariseus não testemunhassem a conversa, evitando, assim, problemas para si.

Nicodemos reconhecia Jesus como um grande profeta, e sabia que as curas que ele fazia, as faziam em nome de Deus. Aproveitando a deixa, Jesus disse:

– Na verdade, eu te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus.

Espantado, Nicodemos não entendia como alguém poderia renascer em um corpo físico, estando já morto. Jesus completou o ensinamento:

– Se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, o que é nascido do Espírito é Espírito. É necessário nascer de novo.

Palavras tão simples não deixam dúvidas de que Jesus falava sobre a reencarnação, ou seja, o fato do Espírito, ser imortal criado por Deus, renascer em um novo corpo físico, instrumento perecível usado para a evolução individual. Ou seja, Jesus afasta por completo a ideia da morte como o fim da existência humana, já que o Espírito imortal, a verdadeira vida do ser, precisa reencarnar em um novo corpo físico para evoluir.

A Doutrina Espírita, mais de mil e oitocentos anos depois, provou esse ensinamento, demonstrando não só a possibilidade de tal ação, mas também as implicações morais da reencarnação.

No momento em que o espermatozoide se une ao óvulo (o que é nascido da carne é carne), o Espírito imortal criado por Deus é ligado ao embrião iniciando-se o processo de reencarnação do ser*.

De reencarnação em reencarnação o Espírito aprende, trabalha, cresce, amadurece e, assim, elimina as tendências e inclinações egoístas, capazes de levar o ser a cometer diversos atos prejudiciais e até criminosos, rumo ao crescimento do amor e da humildade em seu ser.

A reencarnação, portanto, é necessária e ocorrerá tantas vezes quantas forem necessárias para que o Espírito possa evoluir moralmente e intelectualmente com o objetivo de se religar ao Pai Criador: Deus.

Por esse prisma, a nossa vida aqui na Terra, enquanto Espíritos reencarnados, é uma grande escola na qual podemos desenvolver, por meio do trabalho e do relacionamento com o nosso próximo, os dois maiores sentimentos: o amor e a humildade.

Porém, por ser uma escola, é necessário passarmos por algumas provas que demonstrem que o aprendizado foi realizado. Essas provas são as dificuldades pelas quais passamos, como doenças físicas, dificuldades financeiras, ofensas e impedimentos de diversos tipos. A cada dificuldade superada, o amor e humildade crescem em nosso ser nos aproximando cada vez mais de nosso Pai Criador.

Um fato pouco comentado é que Jesus também passou por esse processo reencarnatório várias vezes até se tornar o Espírito perfeito e puro que conhecemos, aquele que realmente vê e conhece o Reino de Deus, e que por misericórdia divina pôde reencarnar mais uma vez há dois mil anos para nos ensinar o amor e a humildade por meio de exemplos concretos.

Portanto, Jesus é o exemplo vivo do tipo de espírito que seremos um dia.

Por isso, cabe a cada um de nós aproveitarmos ao máximo a própria reencarnação para exercitar o amor e a humildade.

Jovem! A sua reencarnação é um presente de Deus para que você possa crescer como pessoa. Por isso, aproveite-a bem. Estude, trabalhe, pratique a caridade. Evite qualquer tipo de situação que encurte a sua reencarnação: drogas, álcool, cigarro, imprudência, violência. Quando as provas estiverem difíceis, amargas e duras, ore a Deus, nosso Pai que está nos céus, e leia o Evangelho de Jesus: todos os ensinamentos que caem nas provas estão lá.

Vinicius Del Ry Menezes

* Sugere-se a leitura da obra O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, para aprofundamento dessas questões.

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