JESUS E TOMÉ
Quando Jesus apareceu a primeira vez para os seus discípulos, na casa em que eles se escondiam, Tomé, um dos doze, não estava com eles.
Ao retornar de seus afazeres, os outros discípulos o cercaram e disseram:
– Nós vimos o Senhor.
Afoitos, narraram os acontecimentos a ele.
Tomé, porém, disse, desconfiado:
– Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão do lado dele, eu não acreditarei.
Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo na mesma casa, com as portas e janelas bem fechadas, por causa do medo que ainda sentiam pelos fatos ocorridos.
Dessa vez, Tomé estava entre eles. De repente, Jesus apareceu no meio da sala.
O Mestre disse:
– A paz esteja com vocês.
Virando-se especificamente para Tomé, continuou:
– Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos. Estenda a sua mão e toque o meu lado. Não seja incrédulo, mas tenha fé.
Tomé, tremendo, exclamou:
– Meu Senhor e meu Deus!
Jesus concluiu:
– Você acreditou por que viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto.
O Mestre nunca perdeu uma única oportunidade de transmitir uma lição.
Sabendo da falta de confiança sobre as verdades espirituais de Tomé, Jesus volta, em espírito, para reafirmar que a morte é apenas do corpo físico.
Para reafirmar ainda mais que o espírito “sopra onde quer”, como ele dissera a Nicodemos tempos atrás, o Mestre repete as palavras de Tomé, demonstrando que ele tinha visto e ouvido a incredulidade de seu discípulo.
E para finalizar a lição, após Tomé acreditar de vez na sobrevivência do espírito, Jesus conclui:
– Você acreditou por que viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto.
Com isso o Mestre não queria dizer que Tomé deveria ter uma fé cega, aquela que converte fiéis em massa de manobra para interesses escusos.
O que Jesus quis dizer é que, como discípulo que convivera com ele intimamente, que vira todas as curas que ele fizera, que ouvira todos os ensinamentos que ele ministrara, Tomé deveria ter compreendido para crer e não ter visto para acreditar.
A Doutrina Espírita resgata o conceito de fé raciocinada, aquela que converte incrédulos em crentes, não porque eles viram, nem porque ouviram, nem mesmo porque acreditaram, mas porque compreenderam racionalmente a lógica dos ensinamentos de Jesus.
E era essa compreensão que Jesus esperava que Tomé tivesse.
Jovem! Muitas vezes fingimos não compreender algum ensinamento de Jesus, ou até mesmo da Doutrina Espírita, porque falta confiança em nós próprios, no sentido de que, se compreendermos, não poderemos mais alegar falta de conhecimento e, portanto, não poderemos mais alegar ignorância diante dos erros que cometemos. Então, é mais cômodo fingir não entender e não acreditar. Que não sejamos como Tomé, que precisou ver para crer.
Vinicius Del Ry Menezes


