JESUS E A MESQUINHARIA
Enquanto Jesus estava pregado na cruz, os soldados romanos promoveram uma cena mesquinha, muito representativa ainda na atualidade.
Antes de ser crucificado, Jesus foi despido de todas as suas vestes. Os soldados repartiram as roupas do Mestre em quatro partes iguais, uma para cada soldado.
A túnica, deixaram de lado, porque era uma túnica sem costura, feita de uma peça única, de cima até embaixo.
Os soldados combinaram entre si:
– Não vamos cortar a túnica. Vamos tirar a sorte para ver com que fica.
E assim o fizeram.
Inclusive, as escrituras antigas que profetizavam a vinda de Jesus já previam esse desfecho, ao escreverem: “repartiram a minha roupa e sortearam minha túnica”.
Ou seja, enquanto Jesus era crucificado, os soldados romanos repartiam a roupa do Mestre entre si, em total demonstração de desrespeito ao Cristo.
A mesquinharia pode ser de dois tipos: material e moral.
A material é aquela ligada a avareza, em que a pessoa se torna extremamente apegada a todos os bens materiais que possui, sejam eles quais forem ou de que valor for. Tem pessoas que não conseguem emprestar um simples clipe de papel, imagine um objeto de valor maior.
Esse tipo de mesquinharia leva a pessoa viver para a matéria, para as posses, para os títulos, de modo que ela entra em um estado de medo contínuo de perder o que possui.
E por mais que possua bens materiais suficientes para uma vida longa e tranquila, ela se aflige todos os minutos de todos os dias temendo, inconscientemente, perder o que tem.
Essa aflição leva a pessoa a cometer as atitudes mais insensatas em relação ao próximo, sendo capaz de tirar, literalmente, um pirulito de uma criança.
Não é de se estranhar, então, que aqueles soldados romanos fossem capazes de disputar pedaços das vestes de Jesus.
A mesquinharia moral é aquela em que a pessoa não é capaz de enxergar os direitos dos outros, de modo que ela se coloca em primeiro lugar em todos os lugares, acreditando que a vida lhe deve algo.
São aquelas pessoas que não entendem o seu lugar em uma fila, no trânsito; que não respeitam o silêncio em uma sessão de cinema; que fazem barulho ensurdecedor altas horas da noite, impedindo o sono dos vizinhos; e vários outros exemplos.
Percebe-se um mesquinho moral quando a pessoa, em suas conversas, só usa o pronome “eu”, nunca o “nós”, por mais que a história que ela esteja relatando tenha sido vivida em um grupo.
Os soldados romanos também foram mesquinhos morais, porque os dois tipos de mesquinharias estão relacionados entre si: o apego ao “eu” me impede de reconhecer os direitos do “outro”, de modo que eu não aceito que o “outro” tenha bens materiais a mais do que “eu”.
E assim, no dia a dia, disputamos objetos, lugares, pessoas, títulos, posses das formas mais insanas possíveis.
Jovem! Não se torne mesquinho. Não se apegue ao que você não precisa. Quem mais tem é quem mais dá, materialmente e moralmente. Lembre-se de que um dia, o Mestre perguntou “pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma”?
Vinicius Del Ry Menezes


