JESUS E O JULGAMENTO

JESUS E O JULGAMENTO

20/08/2020 Juventude 0

Jesus continuava no topo do monte ensinando o maior roteiro para crescimento espiritual que a humanidade já teve: o Sermão da Montanha.

Rodeado de centenas de pobres, humildes, doentes, mulheres, homens, crianças, animais, e até mesmo de espíritos de todas as elevações, em certo momento Jesus disse:

– Não julgue para que não seja julgado. Porque com o juízo com que julga, será julgado; e com a medida com que medir, medirão você igualmente.

Jesus não trata aqui do julgamento e condenação de criminosos baseado no descumprimento das leis civis e penais, pois impedir esse tipo de tribunal seria abrir a possibilidade para a volta aos tempos da barbárie.

Jesus trata nesse ensinamento sobre o julgamento moral que fazemos uns dos outros.

O Mestre chama atenção para o fato de que aquilo que julgamos no outro, de certa forma, também está em nós, inconsciente e talvez em maior quantidade. Na verdade, julgamos nos outros aquilo que somos capazes de fazer ou que desejamos, inconscientemente, fazer.

Julgamos aquele parente rebelde, mas será que a rebeldia não mora em nós?

Julgamos aquele colega traidor, mas será que não somos nós quem está traindo-o?

Julgamos aquele professor desleixado, mas será que o desleixo com o estudo não parte de nós?

Julgamos aquele vizinho ranzinza, mas será que o mau humor não é nosso?

Julgamos aquele homem um homossexual enrustido, mas será que o mesmo não se aplica a nós?

Julgamos aquela mulher devassa, mas será que a devassidão não é nossa?

Julgamos aquele político corrupto, mas seríamos incorruptíveis no lugar dele?

Julgamos, condenamos e, se deixarem, executamos a pena que nós mesmos proferimos contra o outro.

O incomodo que a atitude do outro nos causa é um espelho para nós mesmos. Quanto mais raiva sentimos de uma ação, mais propensos somos a tomarmos aquela mesma atitude em contextos diferentes.

Por isso que com a mesma medida que medirmos, seremos medidos: se julgamos o outro de forma tão agressiva, não merecemos o mesmo julgamento se fizermos o mesmo?

Quem está muito seguro de que não faria ou não fará algo como o outro fez, jamais se incomoda com a atitude do outro. Por isso, respeita-o sem julgá-lo, porque também não tem nada para ser julgado.

Além disso, quem não julga o outro sabe que a leitura que se faz dele é sempre incompleta, porque somente Deus sabe a verdadeira intenção por detrás de qualquer ato.

O espírito Irmão José, no livro Vigiai e Orai*, traz a seguinte mensagem, intitulada Compreenderás:

“Se te colocares no lugar do companheiro cuja atitude e comportamento te pareçam estranhos, compreenderás. Compreenderás o sofrimento que exteriorizou nas palavras com que te feriu impensadamente. Compreenderás a invigilância que o compeliu a sucessivas quedas morais. Compreenderás quanto ele terá resistido antes de ceder à tentação. Compreenderás o silêncio na tristeza que, de hábito, lhe cobre o semblante. Compreenderás o insulamento em que escolheu viver para fugir à própria realidade. Compreenderás o gesto de intolerância que o conduziu à criminalidade, ao crescer sem a proteção de um lar digno. Compreenderás o desajuste com que tenta harmonizar-se, sem que, na maioria das vezes, o consiga. Compreenderás e não te entregarás a julgamento afoito de qualquer natureza”.

Jovem! Não se entregue ao julgamento apressado de ninguém. Jesus que podia fazê-lo não o fez porque sabia que somente Deus pode julgar o outro. A nossa régua é muito pequena para medir o próximo. Ao invés de apontar o dedo e julgá-lo, estenda a mão e ajude-o.

Vinicius Del Ry Menezes

*Vigiai e Orai – pelo espírito Irmão José, psicografia de Carlos A. Baccelli. Editora Didier.

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